Sobre Camila Barreto

Quando criança, aos 9 anos, vivenciei o primeiro luto: minha mãe encerrou o ciclo dela conosco. Desse processo do falecimento e da história dela, brotava um desejo de ser médica. Uma menina com a ânsia de curar e combater a doença que a acometeu - o câncer.

Nas noites, o sonho se encarregava de anunciar: via-me transitando por corredores do hospital e cuidando de muitos. Contudo, a garota foi se desenvolvendo com a certeza de que o estudo era um dos caminhos.

A escola foi um dos espaços significativos e de onde germinou uma nova paixão: o campo educacional. Meus mestres foram referências afetivas e, adentrando no ensino médio, me deparei com uma das áreas da psicologia e ela foi me escolhendo nos mínimos detalhes.

Mergulhei no estudo do que essa ciência poderia contribuir para o indivíduo e para a sociedade. Foi dessa forma que, aos 14 anos, vi na psicologia os caminhos da psicoeducação: conheci o sagrado da mente humana e compreendi o sonho daquela menina.

"Garota, vamos cuidar antes do adoecer, vamos olhar para as emoções." Dialogaram e se acolheram - a menina e a adolescente.

Deu-se o ENCONTRO. Iniciei a graduação em psicologia aos 17 anos e no 2° período do curso fiz parte de projetos de pesquisa, conheci Wallon e o amor pela área acadêmica foi construindo caminhos e pontes para a educação. A jovem que habitava e reverberava a sensação de liberdade e de experimentar coisas novas, transitou pela área hospitalar, organizacional e clínica. Participou também de movimentos e encontros que sempre ratificaram o que já havia como crença pessoal: em tudo cabia a psicologia.

Após a formação, veio o primeiro convite, o de atuar na educação e na educação especial. Experiência que me permitiu diversas aprendizagens e que contribuíram ao despertar para o retorno da atuação clínica.

O espaço clínico sempre foi um lugar apreciado, visitado nos momentos que sentia saudades. Mas 2020 foi o ano escolhido, o renascimento do segundo parto veio anunciar esse novo ciclo. Por meio de contos, música, pela arte fazer o caminhar terapêutico de escuta e acolhimento, pela abordagem humanista cuidar de crianças, adolescentes, mulheres em seus infinitos papéis e no desafio do maternar.

Sobre a Abordagem

A abordagem humanista considera o indivíduo como responsável pela sua vida e pelas suas ações, sendo capaz de encontrar seu próprio caminho para a liberdade. Desse modo, uma linha terapêutica centrada no sujeito. Os principais precursores da psicologia humanista são Abraham Maslow e Carl Rogers. O ser humano é visto como único e responsável pela sua existência.

Meu trabalho utiliza esse olhar da proposta humanista, adentro o campo da arteterapia, acreditando no viés holístico. Os pensamentos, o corpo, as emoções e o lado espiritual. Estes aspectos estão inter-relacionados e se confluem mutuamente.